Eu tinha uma ilusão, uma ilusão de que tudo era bom, de que tudo era feliz, de que tudo ficaria bem para sempre.
Quando eu não conseguia sair do lugar, pelo fato de tudo estar fora do meu alcance, eu me encolhia no canto do quarto e começava a chorar baixinho, sussurrando palavras singelas e delicadas, imitando a voz doce de minha mãe, quando cantava pra mim quando pequena. Sorria ao lembrar dos dias felizes, no balanço do parque, rindo e brincando. Lembrava de meus aniversários, das festas com bichinhos, e dos natais, cheios de presentes.
Um feixe de luz entrou no quarto, abrindo-me os olhos. No começo ardia, poder enxergar a verdade, ardia tanto que lágrimas involuntárias insistiam em brotar em meus olhos. Depois de tanto tempo cega por mentiras que escureciam minha visão, eu via tudo claramente.
E não gostei do que vi. A verdade muitas vezes dói.
Minha mãe apareceu pra mim, depois do que pareceram anos, e sentou-se ao meu lado. Fez carinho em meus cabelos e me deu um beijo na testa: "Boa noite, princesa". Sorri, e apaguei a luz do meu quarto. Depois de tanto tempo no escuro, eu via que às vezes a claridade machuca mais que a escuridão. E que não enxergar é muito melhor quando não se tem nada de bom pra ver.
~por Jac tenebras~
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