Já não vejo mais razão pra viver. O ar que respiro há não é mais suficiente. O meu peito já não consegue carregar essa dor sozinho. Ele grita por ajuda. Meu coração insiste em bater e fazer seu trabalho inútil e desprezível: manter-me viva, condenada a arder no fogo de seu ódio. Estou acordada sentindo seu desprezo me atingir como choques, como raios, paralisando-me aos poucos, arrancando-me os sentimentos positivos sobre a vida e dobrando os negativos. Meu corpo já parou de doer há muito tempo, ou talvez nem tenha parado, pois depois que se machuca a alma, a dor corporal é tão insignificante e nula, que nem é perceptível. Meus olhos se derretem em lágrimas, meu sangue escorre em sofrimento. E meu coração ainda bate, lentamente, devagar, torturando-me ao me manter aqui, viva.
Eu respiro devagar. O pouco de oxigênio que abastece meu corpo se esvai com sangue. a lancinante dor da alma, que nunca para. Que apenas aumenta. É como se um crocodilo arrancasse seu coração do peito. Lhe deixasse oca, vazia. Como se uma águia lhe arrancasse o fígado e depois ele voltasse pra você, só para teres o prazer de senti-lo sendo-lhe arrancado de novo, de novo, de novo e de novo. Sempre da forma mais cruel.
Eu vivo no Inferno, na Terra. E tenho certeza que perto do que vivo aqui sem seu amor, o Inferno parece convidativo.
Aqui minha pele arde como fogo, como se jogassem litros de acido sob ela, e a vissem queimar em solidão.
Carta de uma jovem apaixonada e destruída pela desilusão do amor.
Escrito por mim.
~por Jac tenebras~
Lindo e triste seu poema. Alguns aspectos me identifiquei com a atual fase que estou vivendo. Lindo mesmo parabens
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